8. A era dos impérios

A era dos impérios

Entre 1500 e 1750, o mundo torna-se um sistema ligado pela primeira vez. Os navios unem todos os continentes habitados, a prata de uma mina na América do Sul circula na China e uma doença vinda da Europa esvazia cidades no México. Nestes mesmos 250 anos, a Europa divide-se por causa da religião, trava uma série de guerras sobre o assunto e chega a um acordo que separa o território do governante da igreja do governante. O período termina com uma máquina que bombeia água para fora de uma mina de carvão, o que não parece importante na altura.

  • Século XVI — A doença esvazia as Américas. A varíola chega ao México em 1520 e o sarampo, o tifo e a gripe vêm a seguir. A população das Américas sofre uma redução muito grande ao longo do século seguinte. Os números exatos são contestados, porque a população antes do contacto é calculada por estimativa em vez de ser contada, e as estimativas variam muito. O que não é contestado é que a doença, e não a guerra, causou a maior parte das mortes, e que isso aconteceu antes de a maioria dos europeus chegar. Os impérios que as forças espanholas derrotaram já estavam a entrar em colapso.
  • 1517 d.C. — A Reforma. Martin Luther publica objeções às práticas da Igreja Católica. Objeções semelhantes tinham sido feitas antes e tinham sido travadas. Esta não foi, e a diferença foi a imprensa. Os textos de Luther foram reimpressos e distribuídos pela Europa de língua alemã em poucas semanas, mais depressa do que qualquer autoridade conseguia responder. Uma tecnologia do século anterior decidiu o resultado de uma discussão religiosa neste século.
  • 1545 d.C. — A prata de Potosí. Uma montanha onde hoje fica a Bolívia revela ter o maior depósito de prata encontrado até à data. A prata espanhola atravessa o Atlântico até à Europa e atravessa o Pacífico até à China, onde a procura de prata era alta. Pela primeira vez, uma única mercadoria movimenta dinheiro entre quatro continentes, e os preços na Europa sobem durante um século à medida que a oferta cresce. As minas eram exploradas com trabalho forçado e o número de mortos foi grave.
  • 1545 a 1563 d.C. — A resposta católica. O Council of Trent reúne-se ao longo de dezoito anos e reorganiza a Igreja Católica, definindo a doutrina contra a posição protestante e reformando as práticas que tinham sido atacadas. A Europa tem agora dois sistemas cristãos rivais, cada um apoiado por Estados, e nenhum deles vai absorver o outro.
  • 1602 d.C. — A primeira sociedade por ações. A Dutch East India Company é fundada com ações que podem ser compradas e vendidas pelo público. A propriedade separa-se da gestão, o risco espalha-se por muitos investidores e a empresa sobrevive a qualquer um deles. Esta é a estrutura que quase todas as grandes empresas usam hoje, e ela surge aqui.
  • 1543 a 1687 d.C. — A Revolução Científica. Copernicus publica a ideia de que a Terra se move à volta do Sol em 1543. Newton publica as leis do movimento e da gravitação em 1687. Entre estas duas datas, a forma de resolver dúvidas sobre o mundo físico muda. A autoridade e os textos antigos deixam de ser suficientes, e a observação e a medição tornam-se a prova. Este é o início de uma divisão que atravessa os quatro séculos seguintes, entre perguntas resolvidas por provas e perguntas resolvidas pela crença.
  • 1633 d.C. — Galileo é condenado. A Igreja Católica julga Galileo por defender a ideia de que a Terra se move, e ele passa o resto da vida em prisão domiciliária. O caso é lembrado porque mostra os dois sistemas em confronto direto, com a autoridade religiosa a ganhar a curto prazo e a perder ao longo do século seguinte.
  • 1648 d.C. — O Estado soberano é definido. A Peace of Westphalia põe fim à Guerra dos Trinta Anos, que tinha morto uma grande parte da população da Europa central. O acordo estabeleceu que um governante decide a organização religiosa dentro do seu próprio território e que outros governantes não intervêm aí. Esse princípio, o território primeiro e tudo o resto lá dentro, é a base do Estado moderno e das relações internacionais. Os historiadores discutem quanto a Westphalia realmente inventou e quanto ela apenas reconheceu, mas o nome ficou ligado à ideia.
  • 1688 e 1689 d.C. — Limites escritos para um rei. O Parlamento inglês afasta um rei, coloca outro sob certas condições e aprova um Bill of Rights que define o que a coroa não pode fazer sem o Parlamento. O rumo definido na Magna Carta 470 anos antes torna-se agora um sistema a funcionar em vez de um princípio.
  • 1694 d.C. — O Bank of England e a dívida pública. O banco é fundado para emprestar dinheiro ao governo para travar uma guerra. Um Estado pode agora pedir dinheiro emprestado ao público em grande escala e pagar ao longo de décadas, em vez de depender apenas daquilo que consegue cobrar logo em impostos. O crédito barato decide guerras, e é uma das razões pelas quais um país pequeno financiou uma armada global.
  • Século XVI ao século XIX — O emparcelamento. As terras comunitárias, que os habitantes das aldeias usavam em conjunto, são vedadas e transformadas em propriedades privadas. O processo dura séculos e acelera depois de 1750, quando o Parlamento aprova leis para vedar freguesias específicas. A agricultura em terras vedadas produz mais comida com menos trabalhadores. As pessoas de quem já não se precisa na terra mudam-se para as cidades, e tornam-se a mão de obra para o que se segue.
  • Século XVIII — O Iluminismo. Escritores por toda a Europa defendem que a razão e as provas devem decidir as questões de governo, de lei e de religião, em vez da autoridade herdada. As ideias circulam em livros e panfletos impressos, razão pela qual este movimento chega a um grande público e os movimentos anteriores não chegaram. As suas conclusões surgem diretamente nas revoluções no fim do século.
  • 1712 d.C. — A máquina de Newcomen. Thomas Newcomen constrói a primeira máquina a vapor que funciona de forma fiável no dia a dia. Ela faz uma única tarefa. Bombeia água para fora de minas, através de um movimento de sobe e desce, e gasta uma quantidade muito grande de carvão para o fazer. Esse gasto significa que só vale a pena usá-la numa mina de carvão, onde o combustível está à mão e não custa praticamente nada. Assim, a primeira máquina a vapor mudou a exploração mineira e não mudou mais nada. Torná-la útil noutros locais demorou mais 57 anos, e é aí que a página seguinte começa.

Os países nesta lista

Estes são os países onde os acontecimentos acima descritos tiveram lugar. Cada cartão abaixo abre a página desse país neste site.

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