3. Como os humanos povoaram o planeta

Como os humanos povoaram o planeta

A nossa espécie saiu de África várias vezes. A maioria dessas tentativas falhou e não deixou descendentes. Uma delas não falhou, e todas as pessoas que vivem fora de África hoje descendem desse grupo. Esta secção acompanha essa expansão, desde as primeiras tentativas até à última terra vazia.

  • Há 210 000 a 194 000 anos — As primeiras tentativas. Um pedaço de crânio encontrado em Apidima, na Grécia, e um maxilar da Misliya Cave, em Israel, colocam humanos modernos na Eurásia muito mais cedo do que o esperado. Estes grupos não deixaram descendentes. As primeiras migrações não duraram.
  • Há 65 000 a 47 000 anos — Austrália. Os humanos atravessam mar aberto para chegar à Austrália e à Nova Guiné. Esta é a primeira travessia marítima da história. Exigiu barcos, planeamento e o conhecimento de que existia terra onde eles não conseguiam ver. O limite superior deste intervalo situa-se antes da data de há 60 000 anos indicada abaixo para a migração que durou, e ambos os números são aproximados, por isso as duas entradas devem ser lidas como sobrepostas e não como uma sequência rigorosa. A data é disputada. A escavação em Madjedbebe, em Arnhem Land, aponta para há 65 000 anos, com base em pedras de moer, ocre moído e machados com bordos polidos. Outros investigadores que reviram as provas mais amplas defendem que não ocorreu há mais de 48 000 a 47 000 anos.
  • Há 60 000 anos — A migração que durou. Uma pequena população sai de África e sobrevive. Todas as pessoas vivas fora de África descendem desse único grupo. É por isso que as pessoas fora de África são geneticamente mais semelhantes entre si do que as pessoas dentro de África.
  • Há 45 000 anos — Europa e norte da Ásia. Os humanos modernos entram no território dos neandertais na Europa e chegam à Sibéria ocidental na mesma data. Os neandertais desaparecem cerca de 5000 anos após essa chegada.
  • Há 40 000 anos — Leste da Ásia. Um esqueleto encontrado em Tianyuan, perto de Pequim, contém ADN que já está relacionado com as pessoas do Leste Asiático que vivem hoje.
  • Há 32 000 anos — O Ártico. Sítios arqueológicos no Yana River, no norte da Sibéria, mostram humanos a viver acima do Círculo Polar Ártico durante a Idade do Gelo. As pessoas que mais tarde chegaram às Américas vieram desta população.
  • Há 23 000 a 21 000 anos — As Américas. Pegadas em White Sands, no Novo México, datam da parte mais fria da Idade do Gelo. Isso significa que os humanos viviam a sul das camadas de gelo muito mais cedo do que a teoria mais antiga da cultura Clóvis permitia. A datação foi contestada e foi confirmada duas vezes desde então através de métodos separados: datação por radiocarbono de pólen e datação por luminescência em 2023, e datação por radiocarbono de lama de lago em 2025. Alguns investigadores ainda contestam que não foram encontradas ferramentas no local. Os arqueólogos respondem que as pessoas a caminhar ao longo de uma margem não deixam ferramentas para trás. Monte Verde, no Chile, foi durante muito tempo o local aceite como mais antigo, com cerca de 14 500 anos, e a sua data está agora a ser testada novamente e a ser disputada.
  • Há 3300 a 3000 anos — O Pacífico distante. O povo Lapita navega para leste, passando as Ilhas Salomão em direção ao oceano aberto, e chega a Vanuatu, Fiji, Tonga e Samoa. A navegação planeada em mar aberto começa aqui.
  • Entre há 11 000 e 1500 anos — Madagáscar. Madagáscar é a quarta maior ilha do mundo. África fica a 400 km de distância, mas os primeiros colonos não vieram de lá. A língua malgaxe e a genética do povo malgaxe apontam para falantes de línguas austronésias que atravessaram o Oceano Índico a partir de cerca de 7000 km de distância. Esta data é a menos certa da página. As estimativas cobrem cerca de 9000 anos, que é o intervalo mais amplo para qualquer ilha que a datação por radiocarbono consegue alcançar. Um estudo reviu todas as datas de radiocarbono da ilha e apoia a presença humana há pelo menos 2000 anos, ao mesmo tempo que admite que uma chegada muito mais precoce é possível. Um segundo estudo testou as primeiras alegações com os padrões rigorosos usados para locais antigos nas Américas e concluiu que nenhuma delas cumpre esses padrões. Não encontrou provas sólidas de povoamento antes de cerca de 500 d.C. As cidades surgem na ilha há cerca de 1000 anos, e ninguém contesta essa parte.
  • 1021 d.C. — Os humanos dão a volta completa ao mundo. Lenhadores nórdicos cortam árvores em L'Anse aux Meadows, na Terra Nova. O ano é exato. Uma tempestade solar em 993 deixou uma marca na madeira de todas as árvores vivas na época, e a contagem dos anéis para fora a partir dessa marca dá 1021. Este é o ano mais antigo em que podemos provar que a migração humana deu a volta completa ao planeta. O movimento para oeste a partir de África encontrou finalmente o movimento para leste que tinha atravessado da Sibéria para a América.
  • 1250 a 1300 d.C. — A última terra vazia. Os polinésios chegam à Nova Zelândia. É o último grande pedaço de terra habitável na Terra a ser povoado. Quatro métodos separados dão o mesmo intervalo estreito de datas: datação por radiocarbono, camadas de cinza vulcânica, registos de pólen que mostram a floresta a ser desbravada e sementes com marcas de dentes de rato.

Os países ao longo da rota de migração

Estes são os países nomeados na migração acima. Cada cartão abaixo abre a página desse país neste sítio.

Os países ao longo da rota de migração